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Olá
pessoal, vocês já ouviram falar da Jovem Guarda?
Movimento musical e social que ocorreu na metade dos anos 60 no
Brasil? Pois bem, a partir de hoje estaremos contando aqui, a
história do movimento e de seus principais ídolos.
Bem-vindos a nau, pois “navegar e preciso”.

Talvez
os anos 60 tenham sido uma das décadas mais movimentadas
do século XX. Guerra do Vietnã, Beatles, Woodstock
e no Brasil, a Jovem Guarda e o golpe militar. Se antes, nos anos
50, tivemos a Bossa Nova, movimento direcionado à classe
média e aos universitários. A Jovem Guarda foi direcionada
aos jovens de periferia, que dificilmente tinham acesso a um curso
universitário e aos locais freqüentados pelos adeptos
da Bossa Nova. Isto se refletia nos jovens líderes do movimento
e do programa. Roberto Carlos tinha feito apenas o científico,
Wanderléia estudou até a quarta série e Erasmo
Carlos vivia com a mãe, que trabalhava como doméstica,
na casa dos patrões dela. As mães da época
gostavam deles por isso, principalmente de Roberto, que continuou
a trabalhar numa repartição pública mesmo
depois de fazer algum sucesso.
O programa
que refletia uma juventude que já ouvia rock ‘n’
roll desde a segunda metade dos anos 50 estreou em setembro de
1965, exatamente um ano e meio depois do golpe militar, ocorrido
no dia 31 de março de 1964. O nome do programa foi tirado
de uma frase escrita por Lênin: “O futuro pertence
à jovem guarda porque a velha está ultrapassada”.
Tanto o programa quanto os artistas que se apresentaram nele,
não foram bem recebidos por grande parte da pseudo-intelectualidade
musical brasileira, muito menos pelos universitários que
os rotularam de alienados e a serviço do imperialismo norte-americano.
Os artistas na época chegaram a organizar uma passeata
contra o programa Jovem Guarda e contra a utilização
da guitarra, que foi eleita o inimigo número um da música
popular brasileira. Os artistas que participaram dessa passeata
foram entre outros, Gilberto Gil, Geraldo Vandré, Jair
Rodrigues, Elis Regina. O que esses artistas não sabiam,
era que estavam sendo manipulados pelo dono da emissora, Paulo
Machado de Carvalho, a fazerem esta manifestação,
tudo isso para promover os dois programas da casa, “O Fino
da Bossa”, de Elis Regina, e A Jovem Guarda” de Roberto
Carlos.

Infelizmente
este rótulo de alienados, coniventes com o regime militar
e a serviço do imperialismo norte-americano atravessou
o tempo. Mesmo quando artistas de outros movimentos, em outras
épocas, vieram a público falar do quanto tinham
sido influenciados pela Jovem Guarda e seus participantes, não
adiantou muito. Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Bethânia,
Os Mutantes, Barão Vermelho, Titãs, e muitos outros
mostraram seu apreço pelo pessoal da Jovem Guarda. Contudo,
isso não foi o bastante para mostrar a todos o quanto a
Jovem Guarda foi rebelde. Rebeldia em usar instrumentos condenados
pelos músicos e por parte do público brasileiro,
rebeldia nas roupas, minissaias usadas pelas moças e camisas
coloridas usadas pelos rapazes. Rebeldia nas gírias, nos
gestos, colares e anéis. E rebeldia em apresentar a muitos
jovens, bandas como Beatles, Rolling Stones, The Who e muitas
outras.
Quando
a Jovem Guarda se esvaziou por volta de 1968, outro movimento
se fez presente. A Tropicália, que afirmou dever muito
à Jovem Guarda e ao seu principal líder Roberto
Carlos.
Gostaram
do texto? Espero que sim, pois o próximo estará
melhor ainda, onde nós estaremos começando a falar
das origens do movimento, que não esta só no rock
‘n’ roll dos anos 50, mas também na música
popular brasileira, até lá pessoal.

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