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"ESTRANHA
SEMELHANÇA"
Por Felipe Souza
O
repÓrter do Planeta DiÁrio atravessa, apressado,
a porta do Banco Metropolitano. Desajeitado, com seu chapÉu
coco, Óculos de aro grosso e o casaco em um dos braÇos,
ele quer aproveitar a pequena folga para o almoÇo para
pagar algumas de suas contas domÉsticas. Sem demora, o
repÓrter dirige-se para as cadeiras acolchoadas que agora,
juntamente com o sistema de senhas, substituem as antigas e cansativas
filas em pÉ.
Acomodando-se em uma das cadeiras vagas, ele se sente aliviado
em saber que pelo menos vai poder desfrutar daquele conforto enquanto
passa todo o seu horÁrio de almoÇo no banco.
Infelizmente, o painel luminoso chama os nÚmeros das senhas
na rapidez de um conta-gotas. Para piorar, por que o menino que
estÁ com a mÃe na cadeira ao lado nÃo pÁra
de olhar para ele?
Isso o incomoda sobremaneira. Mas ele disfarÇa, e tenta
responder aos olhares de seu observador com complacÊncia.
Isso sÓ encoraja a crianÇa a puxar assunto:
“VocÊ É o Superman, nÃo É?”
“Hehehe!! Quem me dera!”, o repÓrter responde, constrangido.
“MÃe, olha! É o Superman!”
Quando o repÓrter se dÁ conta, o estrago jÁ
foi feito. Todo mundo estÁ dando atenÇÃo
ao menino e reparando em sua semelhanÇa com o famoso herÓi.
“Eu sou apenas um sÓsia...”, ele diz, constrangido com
os olhares que agora vem de todos os lados.
A mÃe do menino puxa sua orelha, pedindo que deixasse o
moÇo em paz. O miÚdo esboÇa um berreiro,
mas a mÃe recomenda, para seu prÓprio bem, que ele
nem pensasse nisso.
Infelizmente para o repÓrter, isso nÃo basta, por
si sÓ, para evitar a desconfianÇa alheia, que agora
vem disfarÇada, de soslaio. Mas logo ele deixa de ser o
centro das atenÇÕes. Um grupo de homens mascarados,
que sabe-se lÁ como conseguiram entrar armados no banco,
atiram para o alto, provocando pÂnico. É um assalto!
Todos se jogam no chÃo. Enquanto um dos homens aguarda
o cofre ser esvaziado, outros tratam os refÉns com violÊncia.
De algum lugar, o repÓrter escuta uma voz dizer para ele:
“Se vocÊ É mesmo o Superman, faÇa alguma coisa!”
Para azar dos presentes, um dos assaltantes escuta aquilo.
“Hehehe!!! EntÃo, quer dizer que vocÊ É o
Superman?”, pergunta, em tom de sarcasmo. “JÁ sei! É
aquele lance de identidade secreta, nÉ? NÃo imaginava
que logo vocÊ, 'Superman', tivesse uma...”
Como o repÓrter nÃo esboÇou reaÇÃo
Às provocaÇÕes, o homem desafia.
“Vamos! FaÇa alguma coisa para salvar essa gente!”
Nada. O assaltante estÁ quase certo que aquilo era um blefe.
Mas É melhor nÃo arriscar fazer nada com aquele
homem. Caso contrÁrio, se ele for mesmo o Superman, o bandido
vai arruinar sua vantagem, que deve ser o provÁvel motivo
para a inaÇÃo do herÓi: a preocupaÇÃo
em preservar sua identidade secreta.
Mas esses pensamentos, que nÃo duram mais que um instante,
sÃo logo interrompidos com a chegada de uma famosa figura
em vermelho e azul!
Virando-se ora para o repÓrter, ora para o verdadeiro Superman,
os assaltantes evidenciam sua confusÃo, tornando-se presas
fÁceis para os esforÇos do herÓi, que os
desarma antes que qualquer tiro pudesse ser dado.
As pessoas no banco, agora sÃs e salvas, acham graÇa
na semelhanÇa daquele homem com o Superman, e em como eles
foram estÚpidos de pensar que ambos eram a mesma pessoa.
Grato ao Superman por ainda estar vivo, o repÓrter volta
para a redaÇÃo do jornal onde trabalha, o Planeta
DiÁrio, e comeÇa a escrever sua matÉria para
a ediÇÃo de amanhÃ. O tÍtulo? Esse
aqui:
”SUPERMAN
IMPEDE ASSALTO À BANCO”
Por Mark Trent
FIM
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