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O
Céu e o Inferno logo começarão a Grande Guerra
e está nas mãos de pessoas comuns o recrutamento
dos soldados que irão compor as fileiras de combate tanto
do céu como do inferno. Estes são chamados de Gate
Keepers, pois são os guardiões do portão,
selecionando quem irá entrar na Grande Guerra....
The
Gate Keeper #3
Alistamento
O céu estava claro, nenhuma
nuvem, o sol brilhando. Um belo dia para um enterro, pensou Daniel.
Haviam se passado 2 dias desde que conversou com anjo Pedro ao
lado do corpo recém encontrado de seu irmão. Após
aquele encontro, Daniel chamou a policia, que mandou uma detetive
e três policiais a sua casa. A ambulância já
havia levado o corpo de Zeck para o IML e ligariam para ele quando
o corpo estivesse pronto para ser enterrado. A detetive que foi
encarregada do crime se chamava Alicia Nunez e ao colher seu depoimento
na hora disse que depois ia entrar em contato para colher novas
informações.
Agora, dois dias depois, lá
estava ele, em pé, em frente ao caixão de seu irmão.
Ele parecia em paz agora. Parecia que estava apenas dormindo profundamente.
Mas Daniel sabia que ambas as coisas estavam erradas. Ele não
estava em paz e também não estava dormindo. Após
um longo silencio em frente ao caixão, Daniel apenas sussurrou
inclinado sobre ele:
- Me desculpe!
Ao andar para sua cadeira que ficava
na primeira fileira, Daniel pôde observar que a maior parte
das pessoas que ele avisou estava presente no enterro. Ao todo
havia mais ou menos 25 pessoas, e todas, obviamente, eram amigos
de seu irmão. A tristeza tomava conta do local. Podiam
se ouvir os choros e soluços dos presentes. Logo que Daniel
sentou, o padre, amigo pessoal de Daniel, começou a missa.
Após 2 horas de serviço,
o caixão já estava sendo coberto de terra. Os convidados
passavam por Daniel, diziam palavras de conforto e se dirigiam
para seus carros estacionados fora do cemitério. Daniel,
então rezou uma ultima vez em frente ao tumulo de Zeck
e foi embora.
A manhã já dava lugar
ao inicio de tarde. Ele caminhava pelo cemitério em direção
a seu carro, estacionado na entrada, quando uma forte luz branca
tomou conta do local e então Pedro surgiu a sua frente.
O cemitério estava vazio, exceto por um grupo de 4 pessoas
que estava no outro extremo do cemitério, longe do campo
de visão, mas mesmo assim eles não poderiam ver
Pedro nem mesmo se quisessem. Pedro então disse:
- Olá Daniel. Estou aqui para lhe passar as informações
da pessoa que você terá que recrutar para nós.
- Você falou com Nathaniel sobre o caso do meu irmão?
- Sim, mas teremos que discutir isto uma próxima vez. Nós
estamos com pressa neste recrutamento, pois soubemos que um Gate
Keeper do inferno também está atrás da mesma
pessoa. Seu nome...
- Vai à merda! O que Nathaniel disse? Eu só vou
fazer o que vocês pedem quando eu souber o que vocês
farão com o caso do meu irmão.
- Nathaniel disse que vai investigar qual seria a possibilidade
de tirar seu irmão de lá, mas que isso pode demorar
um pouco. Não é nada simples remover um soldado
do inferno. Agora quanto ao soldado que você recrutará,
seu nome é Jonas Lock Winterworth. Ele mora em Nyarasfalls.
É de extrema importância que você o ache e
o recrute antes que Lúcifer o faça. Por isso precisamos
que você vá neste momento.
- Terá que esperar um pouco. Tenho que me encontrar com
a detetive do caso do meu irmão, porque ela quer me fazer
mais algumas perguntas.
- Impossível. Diga que não poderá comparecer
e que quando voltar de viagem responderá as perguntas.
Não podemos perder tempo. Já estamos em grande desvantagem
em comparação com o exercito do inferno.
- Verei o que posso fazer. Mas de carro é uma viagem de
3 horas até Nyarafalls.
- Vá o mais rápido que conseguir. Tenha cuidado
com o GK do inferno, eles são perigosos. Depois de concluir
a missão voltaremos a nos falar.
E assim, tão rápido
quanto apareceu, ele se foi. Daniel pegou o celular e ligou para
o numero que a detetive deixou com ele. Deu uma desculpa de que
teria que viajar para cuidar de uns assuntos do irmão e
que em alguns dias voltaria e então responderia as perguntas
que ela tinha. O tom de voz dela fez Daniel perceber que ela não
ficou muito feliz com aquela historia e que era possível
que ela nem tivesse acreditado. Mas depois ele resolveria isso.
Antes cair na estrada, parou num
caixa eletrônico e tirou dinheiro para a viajem. Na próxima
vou pedir um, tipo, cartão de credito divino, ou algo assim,
pensou Daniel. Depois ele pegou seu carro na garagem e caiu na
estrada. A viagem era longa, mas ele gostava da vista que tinha
no caminho. Isso o distraia.
Após 2 horas e meia dirigindo,
Daniel entrou na cidade de Nyarafalls. A parte fácil que
era chegar até ali estava quase completa. Mas agora vinha
a parte relativamente mais difícil que era achar o individuo
em questão. Após pensar um pouco na questão,
ele resolveu tentar uma solução que tinha poucas
chances de funcionar, mas que era a mais fácil de se tentar.
Então porque não, pensou Daniel.
Ele estacionou o carro num estacionamento
bem caído, mas bem barato também e foi até
um orelhão perto de onde parara o carro. Lá encontrou
um catalogo telefônico, meio velho, com algumas paginas
rasgadas e cheio de manchas na capa. Daniel então começou
a folhear o guia a procura de um nome: Jonas Lock Winterworth.
Alguns minutos se passaram até que ele localizou o numero.
Pegou seu celular e ligou para o numero que constava no catalogo.
Uma voz feminina atendeu:
- Alô?
- Alô, meu nome é Nicholas, e sou funcionário
da empresa de telefonia utilizada em sua residência e estou
respondendo a um telefonema do senhor Jonas Lock Winterworth.
Ele ligou para empresa reclamando de problemas na linha e temos
um funcionário à disposição no momento
que poderia ir à residência checar o problema. Mas
o problema é que o senhor Jonas esqueceu de nos informar
o endereço de sua residência. Será que a senhora
não poderia me informar?
- Olha, é que eu sou faxineira da casa e não sei
se posso passar o endereço da residência para o senhor.
E o senhor Jonas não está em casa no momento, então
seria melhor que o senhor ligasse outra hora para pegar com ele
mesmo o endereço daqui.
- Mas veja, aí que está o problema. Ele entrou em
contato com nossos atendentes e disse que era urgente que alguém
fosse arrumar a linha ainda hoje, pois ele precisaria dela esta
noite. Ele diz que a linha às vezes apresenta um alto chiado
e que muitas vezes há linha cruzada. Só estou querendo
o endereço para poder mandar um funcionário arrumar
o problema. Eu lhe asseguro que seu chefe esta a par desta visita,
já que foi ele mesmo que a solicitou.
- E que horas seu funcionário iria aparecer para arrumar
a linha?
- Daqui a mais ou menos 1 hora. Por volta das 17hrs.
- Eu já não estarei aqui, mas deixarei um recado
pra o senhor Jonas dizendo que um funcionário da companhia
telefônica virá arrumar a linha por volta das 17hrs.
Mas acho melhor você pedir para seu funcionário chegar
as 18hrs, pois às vezes o senhor Jonas fica no escritório
até umas 17h30min.
- Ok. Informarei o funcionário. Poderia me passar o endereço,
por favor?
- É, aqui é bairro das águas claras, rua
general Santini, número 128.
- Obrigado. Um funcionário irá aparecer aí,
então as 18hrs.
- Ta legal. Tchau.
Era incrível como aquilo
havia realmente funcionado. Mas ele deu sorte, pois foi a empregada
que atendeu e Jonas não se encontrava em casa. Foi uma
tremenda sorte. Ele olhou para o relógio e ainda eram quatro
da tarde. E o endereço de Jonas não era mais que
10 minutos de carro de onde ele estava, então ele ainda
tinha uma hora e meia para matar antes de seguir com o serviço.
Resolveu se sentar num bar que tinha na esquina e pedir algo para
comer. Seria seu almoço, já que saiu com tanta pressa
de casa que nem deu tempo de almoçar.
Quando acabou seu almoço,
que por incrível que pareça estava muito bom, ele
pagou a conta, se levantou e caminhou para o estacionamento onde
estava seu carro. Já havia passado das 17hrs, então
ele resolveu chegar um pouco antes das 18hrs na casa de Jonas,
para evitar que o Gate Keeper do inferno chegasse antes. Ele realmente
não queria se encontrar com tal individuo. Iria evitar
ao máximo isso.
Chegou ao endereço dado pela
empregada as 17h40min e parecia que a casa estava vazia. Todas
as luzes estavam apagadas e as cortinas fechadas. Tocou a campainha
e ninguém atendeu. Resolveu espera-lo chegar. 30 minutos
se passaram quando um homem de terno preto, gravata vermelha,
alto, cabelos castanhos curtos e barba por fazer, passou por seu
carro que estava estacionado do outro lado da calçada e
começou a abrir a porta da casa. Era Jonas. Tinha que ser.
Daniel pegou a adaga e colocou no bolso de trás da calça.
Ele não sabia se conseguiria mata-lo, mas resolveu que
tinha que tentar, pois se ele não o fizesse, o outro a
mando de Lúcifer, faria o serviço. Tirou as chaves
do carro e caminhou até a porta da casa. Tocou a campainha
e momentos depois o homem atendeu. Já havia tirado o paletó
e a gravata, portanto só estava com a camisa social e a
calça. Ele disse:
- Pois não?
- Senhor Jonas?
- Sim, sou eu.
- Sou da companhia telefônica e deixei um recado com sua
faxineira de que iria vir aqui para checar sua linha para ver
se os reparos feitos acabaram com os problemas que as linhas deste
bairro vinham tendo. Será que o senhor poderia checar sua
linha para ver se ela está sem chiado ou problemas do tipo?
- Qual seu nome?
- Nicholas, senhor. Passei o dia no bairro consertando o problema
com as linhas.
- Mas minha linha não apresentava nenhum problema.
- Mas será que o senhor poderia checar sua linha para ver
se está com ruídos? Eu ainda tenho mais duas casas
do bairro para checar as linhas.
- Tudo bem, espere aqui.
Ele fechou a porta, mas não a trancou. Após alguns
segundos, Daniel abriu a porta e entrou sem fazer barulho. A rua
estava praticamente vazia, poucos carros passavam por ela naquela
hora. Então ninguém o viu entrando. Ao entrar ouviu
um barulho de passos e percebeu que Jonas estava na sala a esquerda
do corredor em que se encontrava. Daniel observou que o corredor
em que se encontrava era bem luxuoso. Tinha alguns belos quadros.
Um vaso que parecia bastante caro em cima de uma mesinha de madeira
envernizada. Daniel então andou silenciosamente pelo corredor
e entrou na sala onde se encontrava Jonas. Ele estava ainda com
o telefone no ouvido para ver se ouvia o chiado. A sala estava
em total silêncio e as cortinas continuavam fechadas. Melhor
assim, pensou Daniel. Sua mão tremia e seu coração
começou a bater extremamente forte quando ele pegou a adaga
de seu bolso de trás da calça. Ele caminhou até
Jonas e quando estava chegando perto, este se virou. Seus olhos
arregalados diziam tudo. Ele ainda conseguiu perguntar com a voz
um pouco alterada:
- O que é isto? Quem é você?
- Me desculpe. Eu preciso fazer isso. Mesmo não querendo,
eu preciso.
Daniel, agora usava uma mascara
de lã que escondia seu rosto. Nessa hora Jonas viu a adaga
na mão direita de Daniel. Ele usava luvas e só agora
Jonas percebia isso. O medo tomou conta de seu corpo e ele saiu
correndo em direção ao quarto do outro lado. Daniel
correu atrás, temendo haver um telefone neste quarto. Ele
então parou um momento a perseguição e com
a adaga cortou os fios do telefone. Mas ainda assim poderia existir
um celular. Ele correu atrás de Jonas que já estava
entrando no quarto e tentando fechar a porta. Daniel correu antes
e colocou o corpo contra a porta para evitar que ele a fechasse.
Jonas não era um homem muito forte e por isso Daniel conseguiu
se utilizar da fresta aberta da porta para cortar a mão
de Jonas com a adaga. Jonas deu um grito e caiu para trás,
soltando a porta que se escancarou com o empurrão com o
corpo que Daniel deu. O quarto tinha uma pequena janela ao fundo,
mas estava com a cortina fechada também. Jonas estava encolhido
contra a parede segurando a mão que agora sangrava bastante.
Daniel pôde ouvir seu choro e por um momento ficou paralisado.
Estava prestes a matar um homem. Um ser humano. Mas o dano já
estava feito, não poderia parar agora. Fazia isso por Zeck,
seu irmão. Tinha que acabar logo com aquilo. Daniel fechou
a porta e a trancou. O quarto não era muito grande. Tinha
uma cama de solteiro do lado esquerdo, uma mesa a frente onde
ficavam a televisão e o computador e a direita ficava a
estante de roupas. Ele então, com a faca em punho começou
a andar em direção a Jonas, quando este em um ato
de desespero se jogou contra Daniel fazendo os dois cair, perto
da porta. Jonas estava em cima de Daniel. Uma de sua mãos
segurava a mão de Daniel que estava com a adaga, e a outra
o socava. Daniel, com a mão livre, socou a cara de Jonas
o mais forte que pôde. Isso desequilibrou Jonas por um momento,
mas foi o necessário para que Daniel conseguisse livrar
a mão com a adaga e efetuasse um golpe certeiro no coração
de Jonas que arregalou os olhos e caiu para o lado, saindo de
cima de Daniel. Saia bastante sangue de onde ele havia apunhalado
Jonas. A camisa social branca já estava quase que totalmente
vermelha. Uma ânsia de vomito se apoderou de Daniel, mas
ele conseguiu conte-la. Com a mão tremendo ele tirou a
adaga do coração de Jonas e ainda com as luvas nas
mãos, abriu a camisa de Jonas e com a adaga fez o sinal
da cruz. Feito isso, mais sangue saia de seu corpo. O trabalho
estava feito. Agora precisava sair dali.
Sua camisa estava com algumas manchas
de sangue, pequenas e suas luvas estavam totalmente vermelhas.
No carro ele tinha uma outra muda de roupas que trouxe na mala
e as luvas iria esconder e joga-las no mar ou em algum rio. O
que encontrasse primeiro. Antes de sair para a rua tirou as luvas
e botou num dos bolsos da calça. A rua não era tão
movimentada, então não seria problema sair com a
camisa um pouco manchada. Seu carro estava a uns 5 metros da entrada
da casa de Jonas. Ao sair da casa percebeu que a rua estava realmente
bem vazia, como quando ele havia chegado. Era melhor assim. Ele
entrou no carro e foi embora.
Ao dirigir para longe, sua consciência
o atormentava. Havia matado um homem. Como havia feito uma coisa
dessas? Ele havia se tornado um assassino e isso era horrível.
Mesmo sabendo que tinha que ser feito e que Deus estava de seu
lado, havia tirado a vida de alguém. Seja qual fosse o
motivo, isso ia aterrorizá-lo pelo resto de sua vida, ele
sabe disso. Assim como também sabe que terá que
fazer isso de novo outras vezes. Ao pensar isso ele começou
a chorar. Esse era o rumo que ele havia tomado. Esse era o rumo
que ele teria de seguir.
A SEGUIR: Coffee Break
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