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O
Céu e o Inferno logo começarão a Grande Guerra
e está nas mãos de pessoas comuns o recrutamento
dos soldados que irão compor as fileiras de combate tanto
do céu como do inferno. Estes são chamados de Gate
Keepers, pois são os guardiões do portão,
selecionando quem irá entrar na Grande Guerra....
The
Gate Keeper #4
Coffee Break
Daniel dirigia a 60 km
por hora, ainda estava na cidade e não queria ser parado
pela policia. Já havia trocado de roupa. A roupa suja de
sangue já estava no fundo de sua mala e nada no carro ou
nele poderia dizer que ele havia acabado de matar alguém.
Já eram 21hrs, ele estava rodando pela cidade há
duas horas, não queria voltar hoje para casa e ter que
responder as perguntas da detetive. Não estava com cabeça
para aquilo no momento. Ao passar por um Café aberto, Daniel
achou melhor parar o carro por ali e tentar relaxar um pouco,
tomar um café. Sua cabeça parecia que ia explodir.
Ao contrário do
que ocorreu quando Daniel passou por lá, a Rua General
Santini agora estava com várias pessoas aglomeradas tentando
ver o que havia acontecido na casa 128. A policia estava tendo
sérios problemas para segurar as pessoas, mas até
o momento conseguiam fazer o cordão de segurança
ser respeitado. Dentro da casa estavam vários policiais,
detetives e havia 2 médicos legistas que estavam analisando
o corpo. Um dos detetives foi até o policial que havia
chegado primeiro ao local e perguntou:
- Você foi o policial que atendeu a chamada?
- Sim, senhor. Um dos vizinhos veio visitar a vitima e quando
foi tocar a campainha viu uma mancha vermelha na maçaneta
da porta. Ele achou estranho e chamou a policia quando viu que
ninguém respondia, o que não era comum nesse horário.
Eu respondi o chamado e não obtive respostas tocando a
campainha. Então entrei, a porta não estava trancada.
E foi então que encontrei o corpo da vitima no quarto.
- Você tocou no corpo? Tocou em qualquer outro lugar da
casa?
- Apenas toquei na maçaneta e só.
- Onde está o vizinho que fez a chamada?
- Esta lá fora conversando com um colega seu.
O detetive então
sai da casa e aborda o detetive que pegava o testemunho do vizinho.
O vizinho parecia bem desolado, mas já havia acabado de
contar tudo. O detetive então perguntou a seu companheiro:
- O que o vizinho disse?
- Basicamente o que contou ao policial, mas descobri que ele estava
tendo um caso com a vitima.
- Poderia ser suspeito?
- Não posso afirmar nada, mas ele é o mais próximo
de suspeito que temos até o momento.
- E sobre o desenho da cruz no peito da vitima? Ele sabia algo
sobre isso?
- Disse que não. E disse ainda que a vitima ia bastante
á igreja. Não acho que a religião tenha sido
a razão do crime.
- Talvez não.
Ao fundo, meio que escondido
nas sombras, estava um individuo de média estatura, mas
realmente forte. Ele estava a mais ou menos 10 metros de onde
a multidão se aglomerava e apenas observava. Ele sussurra:
- Eis a concorrência!
Há uns 30 km dali,
Daniel acaba de se sentar numa das mesas do fundo do Café.
O lugar é arrumado e bem espaçoso. Não estava
muito cheio, mas também não estava muito vazio.
Alguns segundos depois de se sentar veio uma garçonete,
que de acordo com a etiqueta em seu uniforme se chamava Greta,
com um bule de café e uma xícara. Ela serviu o café
e perguntou gentilmente se não queria algo para comer.
Ele apenas respondeu com um depois. Alguns dos socos de Jonas
haviam deixado pequenos hematomas em sua face, mas ele nem ligava.
Não era com isso que se preocupava. Sua consciência
estava o matando de tão pesada. Ele sabia que não
seria fácil, mas não que seria tão doloroso.
Ele se indagava como tanta gente fazia aquilo sem o mínimo
remorso. Tomou um gole do café que estava bem quente, mas
ele gostava assim.
Ficou assim com seus pensamentos por mais ou menos 1 hora, com
Greta passando ocasionalmente e enchendo sua xícara novamente.
Foi então que Greta sem avisar se sentou no banco da mesa,
de frente para Daniel e perguntou:
- Você está bem? Está sentado aí sozinho
há uma hora já e não fala nada.
- Estou bem. Seus chefes te deixam parar de trabalhar assim?
- É minha folga agora. Aproveita, só tenho 20 minutos.
Me diz qual o problema, você iria se abismar com o numero
de problemas de clientes que eu resolvo.
- Não é nada. Só uns pequenos problemas.
- Ainda tenho uns... 18 minutos se quiser contar.
- Você não vai desistir, né?
- Não sou de desistir. E, além disso, fui com a
sua cara.
- Pois não devia.
- E porque não?
- Porque é perigoso. Eu sou perigoso.
- Sério? Legal, meu ex-marido também era perigoso
e me casei com ele.
- Você é religiosa, Greta?
- Podemos dizer que não muito. Mas acredito em Deus e tal.
Por quê?
- Porque eu já fui muito religioso. Mas minha fé
ultimamente está em baixa. Não sei mais em que acreditar.
Talvez hoje em dia apenas finja que acredito. Mas estou fazendo
de tudo para continuar acreditando, porque é a única
coisa que eu ainda tenho, entende?
- Você é muito religioso?
- Já fui um padre. Isso te responde?
- Não é mais?
- Acredito que não. Pelo menos não me sinto mais
um.
- Você sente falta?
- No inicio até achei que sim, mas não. Não
sinto falta de ser padre.
- Mas então porque está assim?
- Problemas de consciência.
- Ah. Já tive vários desses. São uma merda,
não é?
- Podemos dizer que sim. E como você lida com eles?
- Tento lembrar todas as coisas boas que já fiz. E se der
tento resolver o problema.
- Me diga uma coisa. Você acredita no céu e inferno,
certo? Você disse que acredita em Deus...
- Sim, acredito, mas tento não pensar muito nisso.
- Porque não?
- Porque quero aproveitar minha vida aqui e quando morrer, daí
me preocupo com essas coisas. Disse que não sou muito religiosa.
- Você acredita numa possível guerra entre céu
e inferno? Deus e diabo?
- Meu Deus, o que você anda lendo, hein?
- Porque acha tão impossível. Para você tanto
Deus como o diabo existem, certo? Porque não haver uma
guerra por poder e domínio?
- Por isso não penso muito nisso. Você pensa tanto
que já ta enlouquecendo.
- Heh, mas e se houvesse tal guerra? Acha certo sacrificar uns
poucos para salvar muitos?
- Porque me pergunta isso?
- Porque uma vez quando era padre, me perguntaram isso. E eu dizia
que toda vida é sagrada. Por isso não sacrificaria
poucos pelo bem geral.
- E hoje isso mudou?
- Hoje eu acredito que se fosse realmente necessário acho
que eu não veria problema em sacrificar uns poucos pelo
bem geral. O que você acha?
- Eu fui criada numa família totalmente pacifista, por
isso eu não acho certo que uns poucos tenham que sofrer
pelo bem geral. A escolha tem que ser de cada um. É de
vidas humanas de que se está falando.
- Exatamente meu ponto. O que é melhor? 2 morrerem ou 2
bilhões?
- Mas que tipo de situação iria precisar de tal
escolha?
- A vida apresenta diariamente esse tipo de escolha. Você
apenas não percebe, pois são tão mundanas.
- Não estou gostando do rumo dessa conversa. Posso te perguntar
que hematomas são esses no seu rosto?
- Tô aqui visitando meu irmão. Tivemos uma discussão.
Nada grave.
- Estou vendo. Você é de onde?
- Little Spring. Uns 200 km daqui.
- Vai ficar aqui até quando?
- Pretendo voltar amanhã. Aliás, sabe onde tem um
hotel onde eu possa passar a noite?
- Tem um a duas ruas daqui, descendo. É bom e não
é muito caro.
- Ok. E quanto eu estou devendo pelo café?
- R$2,00
- Toma. Obrigado pelo café e pela conversa. Ajudou bastante.
- Não te falei?
- Heh. Obrigada. Adeus!
- Tchau.
Greta vê o cliente
saindo e percebe que nem perguntou seu nome. Um sujeito estranho,
pensa ela, mas isso é um problema para ele. Ao voltar para
o balcão para buscar mais café, tudo o que ela conseguia
pensar era: Porque ele estava tão preocupado com sua fé
e quais seriam seus problemas de consciência. Ela apostava
que eram sérios. Daniel caminha até o hotel que
Greta indicou, deixa o carro estacionado onde está. Ninguém
vai multá-lo ali.
Enquanto isso na sala de
Alicia Nunez em Little Spring o telefone em cima de sua mesa toca.
Ela atende:
- Nunez.
- Alicia liga a TV no canal 21. Você não vai acreditar.
Alicia liga a televisão
no canal 21 e vê que está passando o noticiário
e que este está falando sobre um crime que aconteceu esta
noite em Nyarafalls. Um homem havia sido assassinado com uma facada
no coração e para surpresa de Nunez o jornal mostrou
um desenho que mostrava a cruz feita com a faca na barriga da
vitima. Ela ainda ouvia atentamente o noticiário quando
a pessoa no outro lado da linha fala:
- E então? O que acha?
- Acho muito estranho.
- Será que é o mesmo assassino do nosso caso? Será
possível?
- Não sei. Mas acho que temos um problema sério
em nossas mãos. Muito sério!
A SEGUIR: Concorrência.
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