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MORTAL KOMBAT: ARMAGEDDON - REVOLUTION

Tiago R. Lima de Andrade

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Edição 6 - Havik
 
 

Parte Dois

_ Nunca pensei que 10 km pudessem ser uma caminhada tão longa. Claro, o povo deste lugar se borra de medo só de ver algo que não seja perfeitamente simétrico...o caminho é irritantemente reto, mas era de se esperar. Mas afinal eu cheguei. A academia da Guarda de Seido. Prédio bonito. De dar medo de tão certinho, mas bonito. Vamos ver o que me espera aqui dentro.
_- Com licença - eu digo para os guardas na entrada, assim que ponho o primeiro pé dentro do prédio - Gostaria de saber como faço para...
_- PRENDAM-NO!!!!!!
_Nem imagino porque querem me prender...um mal-entendido, com alguma sorte...mas resistir à prisão não vai ajudar em nada os meus planos.
_- Antes de me levarem para a cela - eu digo, enquanto eles mantém meus braços erguidos e longe do corpo - podem me dizer qual é a acusação?
_- O prisioneiro falou? - um dos guardas, surpreso, pergunta aos outros - Mas...os prisioneiros nunca deveriam falar enquanto são capturados - depois de dizer isso, ele se vira para mim e diz: - Isso só vai piorar sua acusação, agente do Caos.
_Agente de onde??!!
_- Escutem, sei que só estão fazendo seu trabalho, mas...
_- Silêncio!! Levem o prisioneiro até sua cela!
_Não resistir. OK. Vamos ver até onde eles levam uma prisão sem acusação. Espero que a comida seja melhor do que no Exército.
_- Imagino que agora queira falar, agente do Caos - um dos guardas diz, olhando para mim com desprezo, algumas horas depois de minha prisão.
_- Posso começar dizendo que prenderam a pessoa errada - eu digo, sentado olhando para o chão, com os braços sobre os joelhos.
_- Meu nome é Kurtis Stryker...general Kurtis Stryker.
_- Um militar?...
_- Isso mesmo. Não daqui, claro; venho do Reino da Terra. Imagino que já tenha ouvido falar.
_- A terra do grande Liu Kang? Claro, claro. Tudo o que conheço são as histórias, mas... - o modo de formalidade no cérebro dele se religa, e o interrogatório recomeça. - ...de qualquer forma, o que veio fazer aqui, general?
_- Ouvi falar de Hotaru...das técnicas de combate de sua Guarda...e me interessei em treinar com vocês. Quero levar suas técnicas para meu mundo.
O guarda não acredita, num primeiro momento. Mas só o fato de alguém ter atravessado vários reinos para aprender com eles já é o bastante para convencê-lo a me libertar.
_- Aceite minhas sinceras desculpas, general - ele diz a plenos pulmões, enquanto abre a porta da cela e me faz sinal para sair - Espero que entenda...liberdade conduz à revolta. Revolta conduz à anarquia. Anarquia conduz ao Caos. E o Caos é tudo o que não queremos aqui. Cuidarei para que o general Hotaru o veja ainda hoje.
_Espero até o fim do dia, mas afinal vejo o tal Hotaru. Ele se veste como todos os seus subordinados. Só consigo diferenciá-lo pelo cabelo...ele parece frequentar o mesmo cabeleireiro do Fujin.
_- O general Hotaru irá vê-lo, general Stryker.
_Atravesso o prédio - que é mais gelado e mórbido do que qualquer hospital onde eu já tenha estado - até um pátio onde Hotaru treina alguns novatos. Como se tivesse sido combinado, o treino termina assim que apareço no campo de vista do general. Aliás, é bem provável que tenha sido combinado.
_- Ouvi falar de você, general Stryker - ele me diz, acenando com a cabeça em cumprimento - Imagino que queira iniciar seu treinamento o quanto antes.
_- É um prazer para mim também - eu respondo, mais para mim mesmo do que para Hotaru, que parece quase ofendido por eu ter dito algo que não era o que ele esperava ouvir.
_- Iniciaremos amanhã, pela manhã - é tudo o que Hotaru me diz, antes de ir resolver "assuntos de Estado". A esposa desse cara vai pro céu sem escalas.

_Boinas verdes? Umas mocinhas. Fuzileiros? Monitores de acampamento. Não sei minha suposta reputação de "guerreiro lendário" chegou aos ouvidos de Hotaru, mas o fato é que o cara pega pesado no treinamento. Nada a que eu já não esteja acostumado, mas...os novatos devem pastar nas mãos desse cara. Agora eu começo a entender porque Fujin tem medo que esse cara se junte a Shinnok ou Shao Kahn. Imagine só se os bichos estranhos do exército de Outworld fossem disciplinados como os guardas de Seido.
_- Devo admitir que estou impressionado, general Stryker - ouço de meu professor, cerca de um mês depois do início do treinamento - Poucas vezes treinei guerreiros tão hábeis, e nenhum deles chegou tão longe em tão pouco tempo.
_O mestre orgulhoso do pupilo. Tocante. Eu choraria, mas tenho outras coisas com que me preocupar. Como o que Hotaru faz enquanto não estou por perto, por exemplo.
_- Acredito que já lhe ensinei nossas principais técnicas de combate corporal. Portanto, para prosseguirmos, precisará... - dizendo isso, Hotaru arremessa nas minhas mãos um bastão de madeira com uma lâmina na ponta. Difícil de acreditar que alguém lute com uma coisa dessas. - ...disto. - Hotaru vê minha cara de cético e começa a falar em defesa de seu palito de dentes gigante: - A Naginata permite uma grande variedade de ataques, a curta e média distância. É uma arma muito útil...e poderosa.
_Passamos as próximas horas treinando com a tal "Naginata", até que os tais "assuntos de Estado" exigem novamente a atenção de Hotaru.
_- Se não se importar, general... - ele me diz, entregando sua Naginata ao soldado que vem avisá-lo de seus compromissos - ...teremos que encerrar por hoje. Outros assuntos requerem minha atenção.
_De novo. O que quer que ele esteja fazendo, está fazendo bastante frequentemente. É melhor deixar o intercâmbio cultural de lado e começar a procurar respostas.
_Felizmente, a despeito da mania por ordem, o povo de Seido dorme cedo. Se não fizer muito barulho, posso tentar descobrir se mais alguém sabe o que Hotaru anda aprontando...ou, com um pouco de sorte, eu topo com o próprio Hotaru.
_Alguns minutos revelam que minha sorte já teve dias melhores. Não só não acho Hotaru em lugar algum - talvez ele nem esteja em Seido - como ouço uma notícia que precisaria melhorar muito para ser péssima.
_- ...está falando sério? Liu Kang está morto? - um dos guardas do turno da noite diz a um colega, enquanto escuto tudo escondido atrás de uma torre.
_- Foi o que um dos enviados a Lei Chen disse. Shang Tsung e Quan Chi se uniram, e o pegaram numa armadilha.
_- Acha que o general fará algo com relação a isso?
_- Você o conhece. Ele acredita que a guerra entre a Terra e Outworld é uma prova de que o Caos governa o Universo...e fará o que puder para manter-se fora dela. A não ser...
_- A não ser...?
_- Que Hotaru veja nisso uma boa chance de levar a Ordem aos outros reinos.
_Meu sangue gela nas veias. Será que Hotaru está negociando uma aliança com Outworld? Nem tenho tempo para pensar nisso, porém.
_- Ei, você ouviu alguma coisa?
_- Pegue seu bastão. Vamos ver o que é.
_Obviamnete, não posso deixar que me vejam. Ainda bem que é quase impossível se perder neste lugar. Tomo algumas ruas mais escuras até que...
...que...
...alguma coisa me atinge na nuca, e eu caio inconsciente no meio da noite.

A seguir: a Resistência!

 

 

 

 

 

 
 

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