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OUTERMERCS (Volume 1)

Gustavo Levin

 

Prólogo/Capítulo 1
Capítulo 2

Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10

Capítulo 11
Capítulo 12
Capítulo 13
Capítulo 14
Capítulo 15
Capítulo 16
Capítulo 17
Capítulo 18
 
 

Outermercs - Mercenários do Espaço
Episódio 13: SEPARADOS AFINAL - PARTE 1

_LUCY

_Na noite seguinte ao suposto fim dos Outermercs, Lucy Leng e o soldado Roth caminhavam pelos becos de uma bodega fria e quase deserta.
_“Ele pediu que viessemos aqui. Aí você terá que seguir com ele, Lucy.”, disse Roth.
_“Quem é ele? Estou cheia desse mistério!”, disse Lucy.
_“Calma, ele é um amigo. Na verdade, ele ajudou a Aliança por um tempo. Tenho certeza que você pode confiar nele.”
_“Olha, meus amigos se afastaram de mim e não pude nem reencontrar os caras da minha velha banda. Eu não vou confiar num maluco qualquer que...”
_“Não se preocupe, Sra. Leng. Você não estará em perigo comigo.”, disse um homem de sobretudo marrom e roupas pretas, com uma bandana na cabeça sobre os cabelos compridos, surgindo do escuro de um dos becos.
_“É ele, Lucy. Esse é Rutger Hillen.”, disse Roth.
_“Muito prazer...”, disse Lucy, apertando a mão dele.
_“O prazer é meu, Sra. Leng.”, disse Rutger.
_“Pode me chamar de Lucy.”
_“Bem, vou deixar vocês a sós. Boa sorte, Lucy.”, disse Roth, que em seguida ia embora.
_“Roth me disse que você possui habilidades especiais, certo?”, disse Rutger.
_“Sim. Eu sou meio que telepata e também me adapto aos conhecimentos daqueles que estão próximos de mim.”, disse Lucy.
_“Ah, tipo quando você está diante de alguém que sabe artes marciais, você acaba adquirindo os mesmos conhecimentos que ele têm disso...”
_“É... isso mesmo.”
_“E me diga uma coisa: por acaso agora você não está sentindo uma sensação diferente de quando você está perto de alguém?”
_“Como você adivinhou?!”, diz uma supresa Lucy.
_“Lucy, eu também sou como você. Eu possuo essas mesmas habilidades que você.”
_“Mas... mas...”
_“Lucy, se você não está sentindo as mesmas sensações de antes perto de mim é porque estou sentindo o mesmo. E estou contente!”
_“Ahn? Por quê?”
_“Porque eu achava que eu era único. Mas não sou e você é a prova disso.”
_“Olha, to meio cheia dessa ladainha toda... será que dá pra me explicar de uma vez, hein?”
_“Calma. Venha comigo.”
_Lucy e Rutger seguem por um dos becos escuros próximos à bodega de onde estavam. Rutger abre uma das portas e acende as luzes. O local é simplesmente um monte de destroços e máquinas destruídas. Só há algumas poucas salas que não estão danificadas.
_“O que é essa merda toda?”, disse Lucy.
_“Hehe... minha casa. É onde eu nasci e onde moro.”, disse Rutger.
_“Mas como é que...”
_“Na verdade aqui era o laboratório do Projeto Renascimento.”, dizia Rutger enquanto ligava alguns computadores que mostravam imagens e arquivos na tela. “O projeto era uma operação clandestina do governo de Wan Shad, liderada por um tal de Dr. Paulin Shaut. Ele queria transformar seres humanos em verdadeiras máquinas de combate. Desenvolveu pesquisas que misturavam robótica, mecânica e até mesmo psicologia. Mas ele decidiu que deveriam aplicar o que descobriram em bebês recém-nascidos, para que no futuro fossem bem desenvolvidos e assim prontos para o que desse e viesse.”
_“Acho que sei aonde quer chegar. Eu e você somos sobreviventes desse projeto.”
_“Sim. Quando nascemos, os cientistas de Shaut nos colocaram em tubos como esses que estão quebrados, tivemos alguns plugs e fios malucos em nossos corpos que modificaram toda a nossa estrutura genética. Mas Shaut e os outros conseguiram o que queriam, pois todos os bebês apresentaram as mesmas habilidades em seu corpo.”
_“Que são as habilidades que temos agora...”, diz Lucy, tentando parecer feliz. “Mas eu não me lembro de estar dentro de um tubo. Nem conheci meus pais. O único pai que tive era um pai adotivo...”
_“Seu sobrenome é Leng, né? Bem, os arquivos aqui diziam que Terry Leng e sua esposa Wanda eram cientistas do projeto. Eles decidiram colaborar com Shaut, logo depois que Wanda deu a luz a você.”
_“Ué? O que tem dos meus pais nesses computadores?”
_“Deixa-me ver aqui...”, dizia Rutger, digitando umas teclas. “Ah, aqui está. Logo que você nasceu, seus pais brigaram com Shaut porque o chefão queria enviar você pra outro planeta para treinar melhor suas habilidades. Seus pais também processaram Shaut, mas perderam. A única solução foi essa.”
E na tela, aparecia uma gravação de mais de vinte anos atrás. Nela, um tubo com um bebê enroscado em fios e plugs foi quebrado por duas pessoas – provavelmente Terry e Wanda Leng. O bebê era libertado e entregue a outro homem que aparecia na gravação.
_“Eu conheço esse homem! Ele é meu pai adotivo.”, disse Lucy, surpresa de novo.
_“Sim, sou eu mesmo, minha querida.”, dizia um homem velho surgindo de uma das salas que não foram desmoronadas. Lucy correu para abraçá-lo.
_“Tio Puck. Há quanto tempo... pensei que...”
_“Não, eu nunca morri. Apenas precisei ir quando descobri que estava sendo caçado pelo governo. Mas você já estava pronta com suas habilidades. Desculpe-me por nunca ter lhe contado suas origens a tempo.”
_“Não tem mais problema, tio Puck.”, dizia Lucy, se abrindo em lágrimas e em felicidade.
_“Tá, Rutger. Ainda quero saber: e quanto a você? O que...”, disse Lucy.
_“Bem, eu fui o primeiro e único dos soldados do projeto que foi comprado depois pela Confiança. Pouco tempo depois de terem me comprado, o governo descobriu a operação de Shaut e mandou destruir tudo. Não sobrou ninguém e os soldados que restaram do projeto foram exterminados porque pensaram que eram robôs.”, dizia Rutger.
_“Você trabalhava para a Confiança?”
_“Descobri só depois. Decidi então fugir e descobri Carth Hansfer e a Aliança. Eu os ajudei de vez em quando. Naquela época que eu decidi fazer daqui do laboratório o meu lar.”
_“Foi nessa época que conheci Rutger, Lucy. E descobri que ele também era um soldado. Foi usado assim como nós, quando eu e seu pai éramos cientistas do projeto. Que os Deuses os tenham, ele e sua mãe.”, disse Puck Benson, pai adotivo de Lucy. “Mas eu soube que você virou artista musical, garota. É verdade?”
_“É sim.”, disse Lucy. “Aliás, eu precisava ir num local. Vocês... viriam comigo?”
_Na Toca Laverne, estavam dois alienígenas, um Arakin e um Plurian, jogando blackjack. Eram Jaker e Pimitri, velhos companheiros de banda de Lucy. Eles se afastaram dela desde o dia em que Lucy fugiu pra ajudar a Aliança.
_“Será que ela vem hoje?”, disse Jaker.
_“Não. Ela é furona! Prefere ir pro espaço combater ameaças a encontrar os velhos amigos.”, disse Pimitri.
_“Já sei. Vocês iam fazer uma aposta depois?”, dizia alguém que veio por trás de Jaker. Era Lucy.
_“Lucy! Há quanto tempo!”, dizia Pimitri, que se levantou para abraçá-la.
No balcão, Puck e Rutger só observavam. Mas decidiram ir embora depois.
_“Esperem!”, gritava Lucy. “Aonde vocês vão?”
_“Bem, você sabe onde nos encontrar agora, querida.”, disse Puck.
_“Espera. Não voltem praquela droga! Eu tenho uma idéia!”, disse Lucy. _“Jaker, por acaso a gente ainda tem as chaves dos quartos que conseguimos naquele condomínio?”

A SEGUIR: WOLFIE VAI ATRÁS DO SEU PASSADO


 

 

 

 

 

 
 

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